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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

A história (e as perspectivas) de uma cidade de reviravoltas


Em 2017 Guaíra completa 66 anos de emancipação política. Quando olhamos para trás, importantes acontecimentos do passado nos lembram de épocas de pujança, mas também das perdas que a cidade ainda amarga.


É o caso da perda das 7 Quedas, que completou 35 anos agora em outubro de 2017. A submersão das formidáveis cachoeiras ainda é um assunto que incomoda, dói e até mesmo ofusca a percepção de novas estratégias para a retomada do turismo na cidade.


Para tentar virar a página e conseguir um mínimo de justiça pelas perdas nunca pagas pela Federação, um projeto tramita no Senado buscando rever essa falha. Caso seja aprovado, o projeto prevê a revisão dos valores dos royalties pagos pela Itaipu, o que significa mais dinheiro para investimentos na cidade.


O ano de 2017 também marcou os 100 anos da operação da linha férrea entre Guaíra e Porto Mendes. Quando a Companhia Matte Larangeira fundou o Porto Mojoli, em 1902, a região era um ponto geográfico selvagem, com uma floresta exuberante, muitas ilhas e com a força imbatível das Cataratas do Rio Paraná.


Rebatizado como Porto Guaíra, a Companhia logo construiria o que hoje chamamos de Vila Velha, urbanizando e construindo as bases do futuro município. Sob a coordenação do engenheiro americano Wilson Sidwell, alguns dos edifícios mais antigos são construídos neste início de século XX, como por exemplo a sede da companhia (atual Museu) e o depósito de erva-mate, atual Cine Teatro Sete Quedas.


Contando já com uma infraestrutura portuária mínima, em 1910 a rota de escoamento de erva do Mato Grosso até Buenos Aires passou a ser feita por Guaíra via rio Paraná e não mais por Encarnación (Paraguai).


Nesta época, Guaíra já contava com manutenção mecânica, estaleiros e navegação, almoxarifado, serraria e carpintaria, usina elétrica a vapor e serviços de engenharia e serviços comunitários.


Em 1915, a empresa inicia a construção da estrada de ferro Decauville até Porto Mendes Gonçalves e em 1917 a linha passa a operar.


Nesta época, a empresa investe ainda mais com a construção de um estaleiro, clube, hotel, posto de gasolina e até aeroporto. Segundo Omar Fedato Aleksiejuk, ex-servidor do IBGE e pesquisador da história guairense, a partir de 1919 Guaíra "já contava com iluminação elétrica a vapor, água tratada encanada (1.100 metros de rede), esgoto (2.348 metros de manilhas), telefones (32 telefones moldurados em madeira de lei, espalhados estrategicamente nas residências e nas estações de embarque, desde Porto Thomaz Laranjeira até Porto Mendes), serviço de limpeza pública e remoção de lixo, capela, biblioteca, almoxarifado, aeroporto, escola com fornecimento de material gratuitamente, posto pluviométrico, fluviométrico, hospital (um médico e cinco enfermeiras, serviços de parteira, sala de cirurgia, apartamentos para ambos os sexos), serviço odontológico, farmácia, depósitos, armazém, metalúrgica, oficina, estaleiro, clube de lazer, e também nesse período fora construída uma ponte pênsil (internacional), ligando o Brasil ao Paraguai num vão de 89 metros, logo no início do baixo Paraná. Falavam-se os idiomas espanhol, guarani e inglês. As habitações eram de madeira de qualidade, padronizadas, assentadas sobre pilares de madeira, pintadas e cercadas, sendo de tábuas de peroba de 40 centímetros dispostas em sentido transversal, de modo que cobrissem os pregos ou parafusos das intempéries climáticas, evitando assim o seu apodrecimento, revestidas por dentro por madeirinhas de cedro de qualidade que vinham da serraria de Zororó (antigo nome do distrito de Oliveira Castro). As telhas eram de madeira de canjarana, cortadas, preparadas, montadas e colocadas no telhado em forma de escamas de peixe, que proporcionavam um aspecto agradável à habitação. Imperava a Lei Seca, ou seja, era proibido o consumo de bebidas alcoólicas", registra.



Quase um século depois, pouco restou das antigas construções, mas as largas ruas, a rede de esgoto e alguns dos principais pontos turísticos são heranças deste período de colonização, que teve fim com a chegada de Getúlio Vargas ao poder.


Getúlio inclusive esteve em Guaíra no ano de 1944. Pouco tempo depois, encampou os bens da Matte e nacionalizou seu patrimônio, criando o Serviço de Navegação Bacia do Prata (SNBP - sigla que está exposta no trenzinho que fica na praça Eurico Gaspar Dutra).


Entendendo Guaíra como uma área de interesse estratégico da defesa nacional, em 1947 o Exército se instala na cidade. A Marinha já havia marcado território. Mas Getúlio faz mais: estimulou a migração para povoar o Oeste e abrasileirar a então predominante presença estrangeira na região, sobretudo em Guaíra, então formada majoritariamente por paraguaios e argentinos. Nos anos 50, isso se tornou realidade com a chegada de gaúchos, mineiros e paulistas, e também de japoneses, italianos, portugueses, árabes e alemães.


Em 1951, no segundo mandato de Getúlio, Guaíra finalmente ganhou o status de município e conquistou seus direitos políticos, tendo como distritos as hoje cidades de Terra Roxa e Palotina, entre outros vilarejos rurais que depois conquistaram suas emancipações.


É também herança da Matte Larangeira a Igreja Nuestro Señor del Perdón, a Igrejinha de Pedra, que completou 83 anos no dia 11 de novembro.


Restaurada e com centro de atendimento ao turista, a Igrejinha é uma pérola da arquitetura guairense e santuário da fé cristã/católica. A opção pela restauração do templo é uma luz para outros projetos que valorizem o aspecto histórico de Guaíra, que remonta ao Descobrimento do Brasil e ao Tratado de Tordesilhas, se considerarmos a antiga Ciudad Real del Guahyrá como espécie de ancestral da moderna Guaíra.


Guaíra moderna que espera rever seus momentos de glória num futuro próximo. Há exatos 40 anos, o Município, que já contou com linha da VASP e da Rio-Sul, inaugurava seu Aeroporto. Com 1.370 metros de comprimento e 30 metros de largura (medidas compatíveis com as do Aeroporto Santos Dumont, no Rio), o aeródromo municipal ainda hoje é elogiado por pilotos de toda a região.


A administração municipal tenta agora convencer as companhias aéreas sobre o potencial turístico de Guaíra. O principal argumento está no crescimento vertiginoso experimentado por Salto del Guairá. Crescimento que pode ter concorrência caso se confirme o já conquistado direito político de Guaíra e cidades gêmeas de fronteira poderem instalar os free shops. Isto é, vender produtos sem imposto, tal como as lojas paraguaias o fazem. Isso atrairia ainda mais turistas para a fronteira, especialmente se tivermos um aeroporto preparado para receber aeronaves comerciais, assim como no passado.


Para que isso saia do papel, falta apenas a Receita Federal implementar um software para controle de mercadorias e CPF′s. O consumidor, por lei, tem direito de gastar 300 dólares no máximo por mês. É a chamada cota pessoal. No caso, a pessoa teria direito de gastar 300 dólares em produtos sem imposto em Guaíra e outros 150 dólares em Salto.


Essa possibilidade tem mexido com o imaginário de investidores e empreendedores: muitas empresas já demonstraram interesse em investir na cidade, o que, em tese, abriria novos postos de trabalho e com isso geração de renda para uma enorme faixa de pessoas que estão neste momento sem emprego em Guaíra.


Esta é a nova aposta para o futuro da cidade, que tem ainda a esperança de um dia voltar a contar com seu potencial hidroviário e ferroviário, tão bem explorado no passado e que poderia nos alçar ao futuro.


Nessa cavalgada exuberante rumo a este futuro, o fato é que Guaíra pode muito bem se encontrar novamente com sua vocação para o turismo. E assim o turismo de compras pode levar os visitantes à descoberta do potencial histórico-cultural e de contemplação da natureza. O Parque Nacional de Ilha Grande pode ser mais bem explorado neste sentido.


Enquanto os turistas passam pela cidade com destino a Salto del Guairá, pelo menos nossos hotéis e restaurantes conseguem deixar um pouco da boa impressão que Guaíra pode proporcionar. O boom na área gastronômica é um alento numa época de crises, pessimismo e colheres de chá.


As cartas estão sendo jogadas à mesa. Quem viver, verá.

No mais, parabéns, Guaíra!


Por Cristian Aguazo

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Data da Última Atualização: 17/11/2017 14:55:51