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Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

Uma história cantada (e contada) à capela

Há uma cena que se repete todos os anos nos dias 07 e 08 de dezembro: centenas de devotos se dirigem até a avenida Barão do Rio Branco para cantar e rezar para a padroeira do Paraguai, na festa em louvor à Virgem de Caacupê.


Há muitos anos a festa é aguardada com certa ansiedade pelos moradores antigos da Vila Velha. Tão tradicional é a festa que ela começou antes da emancipação do município, antes da vinda do presidente Getúlio Vargas. Ela existe desde 1940 e é realizada ininterruptamente desde então.


A mais tradicional festa da cidade tem todos os ingredientes religiosos: fé, alegria e caridade. Todos os anos, no dia 07, é realizada a procissão até a "Capilla de Nuestra Señora de Caacupé", que fica no quintal de Lucila Suares Arguello (in memoriam), hoje sob a coordenação de seu filho, Rubens Arguello.


Depois do terço e dos hinos entoados em espanhol e guarani, começa a festa com comidas típicas paraguaias ao som de harpas e violões. No dia 08, como é tradição, uma Missa Campal é realizada logo cedo, às 07h. Depois, um almoço gratuito é oferecido aos mais carentes. É assim desde que Guaíra é Guaíra.


A Capela não tem atividade só em dezembro. Todas as sextas-feiras um grupo de devotos se reúne para fazer as orações, confraternizar e manter viva a chama de uma tradição católica, brasiguaia, cultural e de amor ao próximo.


A velha capelinha resiste ao tempo, mesmo dando sinais de fragilidade. Sobre o altar, as imagens da virgencita india de Caacupê abençoam os que possuem fé. Abençoam os promeseros que em caravanas agradecem as graças recebidas. Imagens de alto valor simbólico. Uma delas foi benzida pelo papa.


Outra tem uma história bem mais íntima com a família de Rubens e com Guaíra... Quando o armistício entre Bolívia e Paraguai foi assinado, em 1.935, um militar buscava suvenires no cenário de guerra, no lendário Chaco. Um deles pegou uma imagem esculpida em madeira e prata que acompanhava um soldado abatido. A imagem foi levada até as mãos de Quitéria Aguilera, mãe de dona Lucila, que então residia no Paraguai. Dona Quitéria entendeu que aquilo era um sinal e resolveu fazer chipa e chá para dar às crianças carentes nos dias 08 de dezembro, como forma de homenagear a Santa. Quitéria levou essa promessa consigo quando imigrou ao Brasil, para o Mato Grosso do Sul, na fazenda Campanário, sede da Companhia Matte Larangeira. E depois a trouxe quando ela se mudou para Guaíra, em 1.940, na rua Monjoli. Aqui também seria escrita esta história de amor e fé.


A imagem da pequena santinha, tão pequena e delicada que cabe na palma da mão, tem uma mística poderosa: ficou desaparecida por 12 anos e misteriosamente voltou ao seu lugar num dia 7 de dezembro.


Apesar do susto e do medo de perdê-la, a relíquia é compartilhada com todos, como se espera de um bom cristão. Por isso, continua exposta na capela, que fica aberta para visitação e é espaço para que famílias façam velórios na Vila Velha. Tudo sob as bênçãos do pequeno grande símbolo da fé católica em Nossa Senhora.


O tempo passa, o tempo voa. Foi o tempo o grande artesão dessa hoje longínqua história. História de vários capítulos. Quando Quitéria faleceu, Lucila assumiu o compromisso de manter viva a prática. Sociável e bem relacionada, Dona Lucila ampliou o formato e com a ajuda de amigos e amigas fez da Festa da Virgem um evento oficial do calendário guairense.


A saudosa Lucila faleceu em 2014, mas seu doce olhar parece acompanhar aqueles que ainda fazem parte desta tradição que há quase 8 décadas faz Guaíra parecer mais solidária, mais emotiva e amiga.


Agora, uma nova geração está incumbida de manter viva uma tradição que se confunde com a história da cidade. Não é pouca coisa.

Texto Cristian Aguazo

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Data da Última Atualização: 25/11/2020 14:24:57