Av. Coronel Otávio Tosta, nº 126 - Centro - GUAIRA - Paraná
(44) 3642-9900
imprensa@guaira.pr.gov.br
Webmail
Memorando Online

ÚLTIMAS NOTÍCIAS /

Visualizada 130 vezes

Quinta-feira, 07 de Dezembro de 2017

Festa de Caacupê inicia hoje: Desde que Guaíra é Guaíra é assim


Há exatos nove dias (28 de novembro) os devotos da Virgem de Caacupê iniciaram a novena que culmina hoje (07) com uma tradicional procissão pelas ruas da Vila Velha em direção à Capela de Nossa Senhora de Caacupê. A igrejinha fica na residência da saudosa Lucila Suares Arguello, agora gerenciada por seu filho Rubens Arguello, na rua Monjoli, 94.


A casa paraguaia também realiza hoje, após a procissão, marcada para iniciar às 19h, a mais antiga festividade de Guaíra e região: a festa em louvor à Virgem de Caacupê, que chega à sua 77ª edição.


Os festejos incluem apresentações culturais, com participação especial de grupos de dança do Paraguai, e a comercialização de comidas típicas paraguaias.


Amanhã, 08 de dezembro, a programação reinicia com um missa às 07h30. Depois, ao meio dia, um almoço será servido gratuitamente. A festa se estende até a noite do dia 08.


Este ano, a novidade está na reforma da capelinha, que foi repaginada por dentro e por fora. A decoração incluiu homenagens para Dona Quitéria (idealizadora da festa) e para as irmãs Lucila e Sixta (Nena), que deram continuidade aos festejos e fizeram desta festa um patrimônio cultural imaterial de Guaíra.


A capelinha também reserva um lugar de destaque para a Santinha, a pequena imagem que deu origem a esta história de fé e caridade.


A imagem, que de tão pequenina cabe na palma da mão, foi encontrada num cenário da Guerra do Chaco, entre Bolívia e Paraguai durante os anos de 1932 a 1935. Quando o armistício entre Bolívia e Paraguai foi assinado, em 1935, um militar buscou recordações no desolador cenário de luta. Este soldado pegou uma imagem esculpida em madeira e prata que acompanhava um combatente abatido. A imagem foi dada de presente para Quitéria Aguilera, mãe de dona Lucila, que então residia no Paraguai. Dona Quitéria entendeu que aquilo era um sinal e sob as bênçãos de um padre resolveu fazer um almoço e uma festa para dar às crianças carentes nos dias 08 de dezembro, como forma de homenagear a Santa. Quitéria levou essa promessa consigo quando imigrou ao Brasil, para o Mato Grosso do Sul, na fazenda Campanário, sede da Companhia Matte Larangeira. E depois a trouxe quando ela se mudou para Guaíra, em 1.940. Quando Quitéria faleceu, nos anos 1970, Dona Lucila deu sequência à tradição, ampliando o formato da festa e fazendo dela um atrativo cultural para toda a fronteira.


A Santinha, aliás, tem uma mística poderosa: ficou desaparecida por 12 anos e misteriosamente voltou ao seu lugar num dia 7 de dezembro. Muitos garantem que também já operou diversos milagres. "Muita gente vem aqui agradecer. Um dia uma mulher que não conheço veio aqui e pediu para entrar na capela. Ela rezou, depois entregou uma imagem enorme de Caacupê. Diz que era um pagamento de promessa atendida", afirma Rubens.


A festa da Dona Lucila, como é conhecida por muita gente na cidade, preserva desde sempre o caráter de promessa, de bondade e caridade. "Minha mãe fazia questão de atender aos mais necessitados. Aprendi com ela", diz Rubens.


Dona Lucila, cidadã honorária que dá nome também a um posto de saúde, notabilizou-se pela habilidade interpessoal e dotes culinários. Logo depois que chegou a Guaíra, em 1.940, assumiu a cozinha do primeiro hotel guairense (antiga Câmara, atual sede da Guarda Municipal). Depois, atuou como confeiteira e lidou com o comércio de comidas típicas paraguaias num espaço criado dentro de sua própria casa. Lá, chipas, pães caseiros e sopas paraguaias eram acompanhadas pelo famoso cocido, chá feito à base de erva-mate, açúcar e brasa de lenha. Aos domingos, macarrão de massa caseira e nhoque com massa de mandioca eram comercializados religiosamente.


Mas o que sempre a tornou famosa foi a sua generosidade. Num de seus aniversários, outra antiga moradora da Vila Velha, Emília Garicoix, a homenageou com um bolo e um verso que marcou o filho Rubens. "Para Dona Lucila todo o dinheiro do mundo não importa, pois com a chave da amizade ela abre qualquer porta", recita Rubes. "Era assim mesmo", completa.

A relação de fé com a Santa resultou numa capelinha erguida dentro da propriedade dos Arguello, mas que é aberta a todos os promesseiros, criando assim um novo ponto turístico da cidade.

Dona Lucila faleceu em 2014, mas seu legado tem sido levado adiante por um pequeno e coeso grupo que se reúne todas as sextas-feiras para rezar um terço e confraternizar.

Desde que Guaíra é Guaíra é assim.

Texto Cristian Aguazo

 Galeria de Fotos

 Outras Notícias

Horário de Atendimento: Segunda a Sexta-feira - Manhã 07:30 às 12:00 - Tarde 13:30 às 17:00
Av. Coronel Otávio Tosta, nº 126 - Centro - GUAIRA - Paraná
(44) 3642-9900
imprensa@guaira.pr.gov.br
Data da Última Atualização: 15/12/2017 17:18:58