Baixa temporária do Lago de Itaipu revela cenário singular em Guaíra e reacende memórias das Sete Quedas
Em fevereiro de 2026, o nível do reservatório de Itaipu na região de Guaíra apresenta redução significativa. O fenômeno reflete tanto a gestão estratégica para a modernização tecnológica da usina quanto as condições hidrológicas da bacia do Rio Paraná.
De acordo com os dados mais recentes de monitoramento, o reservatório opera em torno da cota 217,09 metros. No início de janeiro de 2026, o nível registrava aproximadamente 219,20 metros. A diferença representa uma queda de cerca de 2,11 metros em um intervalo de trinta dias. Em contextos históricos de estiagem severa ou de operações estratégicas anteriores, o rio já registrou marcas ainda mais acentuadas em pontos específicos de medição.
A redução atual decorre de fatores técnicos e operacionais. Em 2026, a Itaipu iniciou etapa decisiva de seu Plano de Atualização Tecnológica, que contempla a parada programada de unidades geradoras para digitalização de sistemas e modernização estrutural. Esse processo exige controle rigoroso do fluxo de água e ajustes na vazão.
Outro elemento relevante envolve a afluência proveniente das usinas a montante, como Porto Primavera, além da coordenação do Operador Nacional do Sistema Elétrico, responsável pelo equilíbrio entre geração de energia e preservação dos estoques hídricos nos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Em Guaíra, os efeitos tornam-se mais perceptíveis por se tratar da região de cabeceira do lago. Pequenas variações na cota expõem com rapidez áreas que, em condições regulares, permanecem submersas.
Com a baixa do lago, formações rochosas que remetem às históricas Sete Quedas reaparecem na superfície do Rio Paraná. A paisagem ganha nova configuração. O leito revela contornos que permaneciam ocultos há décadas. O movimento das águas torna-se mais evidente, com ondas e corredeiras que ressaltam a força natural do rio. Pedras antes encobertas permitem que visitantes permaneçam em pé no meio do Rio Paraná, em um ponto que carrega profundo significado histórico e afetivo.
O Município de Guaíra, por meio da Diretoria de Comunicação Social e Imprensa, realizou registros oficiais desse momento singular. A cena resgata memórias e reafirma a identidade de um território marcado por uma das maiores maravilhas naturais já existentes em volume d’água no planeta.
A beleza que sempre caracterizou o encontro entre rio e horizonte alcança, neste período, uma dimensão ainda mais impactante. O cenário impressiona pela grandiosidade e pela sensação de reencontro com a história. Sob a luz do entardecer, as pedras expostas e as corredeiras compõem uma moldura natural de rara intensidade estética, sem contar o som das águas.
O Município de Guaíra reconhece neste momento uma oportunidade de valorização turística responsável, com foco na contemplação, na segurança e no respeito ao meio ambiente. A orientação é para que visitantes observem as áreas permitidas, respeitem as normas vigentes e priorizem a preservação do patrimônio natural.
Há paisagens que não desaparecem. Transformam-se. As Sete Quedas permanecem na memória coletiva e na força das águas do Rio Paraná. Em fevereiro de 2026, Guaíra testemunha mais um capítulo dessa história, agora revelado à superfície, com beleza que emociona e convida à contemplação.