Dia do Agricultor: a missão silenciosa que sustenta vidas
Há profissões cuja importância aparece apenas quando faltam. A agricultura talvez seja o maior exemplo dessa realidade. Todos os dias, milhões de brasileiros iniciam a rotina com um café, preparam o almoço, reúnem a família para o jantar ou partilham um simples pedaço de pão. Em cada refeição existe uma longa história, construída por inúmeras mãos, muito antes de o alimento chegar à mesa.
O Dia do Agricultor, celebrado em 28 de julho, representa justamente esse momento de reconhecimento. A data homenageia quem cultiva a terra. No aspecto técnico, agricultor é o profissional dedicado ao cultivo da terra e à produção de grãos, frutas, hortaliças, fibras, sementes e diversas matérias-primas agrícolas. Pode atuar em pequenas propriedades familiares ou em grandes empreendimentos rurais. Ao lado da pecuária, forma a base da agropecuária brasileira, um dos setores mais importantes da economia nacional.
Os números ajudam a compreender essa relevância. O agronegócio responde por aproximadamente um quarto da economia brasileira, movimenta cadeias industriais, comércio, logística, pesquisa, tecnologia e geração de empregos. No Paraná, um dos estados mais agrícolas do país, o setor representa cerca de um terço do Produto Interno Bruto estadual, impulsiona cooperativas, agroindústrias e empresas ligadas ao campo.
Em Guaíra, a agricultura também ocupa posição estratégica. A produção rural participa de forma significativa da composição econômica do município e exerce influência direta sobre o comércio, os serviços, o transporte, a armazenagem e a renda de inúmeras famílias. Em uma área agricultável de aproximadamente 37 mil hectares, cerca de 900 produtores rurais, entre agricultores familiares, médios e grandes produtores, cultivam a força econômica do campo guairense. Somadas, as atividades agropecuárias movimentam aproximadamente R$ 680 milhões em Valor Bruto da Produção (VBP), indicador que representa o faturamento bruto gerado pela produção agrícola e pecuária dentro das propriedades rurais.
A soja lidera o Valor Bruto da Produção do município, com cerca de 34 mil hectares cultivados, mais de 111 mil toneladas produzidas e um VBP superior a R$ 221 milhões. Na sequência aparecem a produção de ovos férteis, desenvolvida em sistema integrado pela Cooperativa Lar, que alcançou mais de 9,1 milhões de dúzias e aproximadamente R$ 186,7 milhões em VBP, e o milho segunda safra, cultivado em cerca de 33 mil hectares, com produção superior a 200 mil toneladas e VBP próximo de R$ 180 milhões.
A cadeia produtiva ainda reúne importantes segmentos da pecuária leiteira, bovinocultura e bubalinocultura de corte, avicultura, piscicultura, apicultura e agricultura familiar. Merece destaque a atuação da Associação dos Produtores Orgânicos de Guaíra (APONG), além dos produtores independentes de hortaliças, frutas e sistemas hidropônicos, responsáveis pelo abastecimento de mercados locais e regionais. Juntas, essas atividades fortalecem a economia municipal, impulsionam diversos setores produtivos e reafirmam a vocação agrícola de Guaíra.
A data comemorativa possui origem histórica. Em 1960, o então presidente Juscelino Kubitschek instituiu oficialmente o Dia do Agricultor por meio do Decreto nº 48.635. A escolha de 28 de julho homenageia o centenário da criação do Ministério da Agricultura, estabelecido em 1860 por Dom Pedro II, período em que o café ocupava posição central na economia brasileira.
Ao celebrar esta data, o Município de Guaíra presta homenagem aos agricultores e a todos os profissionais que participam da produção de alimentos, do preparo da terra até o consumo final. Cada safra representa muito mais do que produtividade. Representa esperança, dedicação, responsabilidade e compromisso com a vida.
Diferentemente de muitas profissões, o agricultor convive diariamente com fatores que não pode controlar. A chuva pode chegar cedo ou tarde. O excesso de calor pode comprometer uma lavoura inteira. O frio intenso, o granizo, os ventos fortes e a estiagem desafiam cada planejamento, a oscilação dos valores dos produtos, maquinários, insumos, mão de obra, as pragas. Por isso, a agricultura exige muito mais do que conhecimento técnico. Exige coragem, persistência, paciência e, sobretudo, fé. Fé para investir meses de trabalho sem a garantia absoluta de qual será o resultado. Fé para recomeçar após perdas inesperadas. Fé para acreditar que a terra recompensará cada esforço realizado.
Valorizar o agricultor é reconhecer quem cultiva muito mais do que alimentos. É reconhecer quem cultiva o futuro.