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32º Torneio Internacional de Pesca Esportiva reúne 170 equipes e reafirma tradição de Guaíra

O Município de Guaíra apoiou, nos dias 26 e 27 de setembro, a realização do 32º Torneio Internacional de Pesca Esportiva. A competição reuniu 170 equipes e 497 atletas pescadores nas águas do Rio Paraná e reafirmou uma história construída sobre turismo, preservação ambiental, solidariedade e capacidade de recomeçar.

Para compreender o significado do Torneio, é necessário voltar a 1982. Naquele ano, a formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu cobriu as Sete Quedas. Guaíra perdeu um dos maiores espetáculos naturais do mundo, mas também viu desaparecer parte de sua identidade turística, de sua economia e do futuro que imaginava construir.

A cidade poderia ter aceitado aquela perda como um ponto final. No entanto, moradores, empresários e representantes do poder público se recusaram a permitir que a vocação turística de Guaíra também desaparecesse sob as águas.

Em 1983, o recém-formado Iate Clube de Guaíra, com a participação da iniciativa privada, da classe empresarial e do poder público, criou o Torneio Internacional de Pesca. A competição nasceu como resposta a um período de perdas e como tentativa de reunir novamente as pessoas ao redor do mesmo rio que havia levado tanto, mas que ainda possuía muito a oferecer.

Até 1990, o Torneio tinha como sede a antiga Prainha, na área central. Com a construção do Centro Náutico Marinas, a competição ganhou uma estrutura mais adequada para receber pescadores, familiares e visitantes.

Ao longo das décadas, o Torneio acompanhou as transformações da sociedade. Durante muitos anos, os peixes capturados eram retirados do rio, pesados e apresentados ao público. Naquele período, essa prática refletia a compreensão predominante sobre pesca e preservação.

Com o avanço da consciência ambiental, a competição adotou, em 2019, a modalidade “Pesque, Fotografe, Grave e Solte Vivo”. A emoção, a técnica e a tradição permaneceram, mas os exemplares passaram a retornar ao Rio Paraná.

Outra transformação decisiva começou a ser construída em 2016, quando Guaíra enfrentou uma nova perda: o município ficou sem hospital em funcionamento.

A Associação Assistencial de Guaíra, entidade fundada décadas antes e que havia mantido o Lar São Francisco de Assis, aprovou, em 15 de março de 2016, sua atuação na área hospitalar. A instituição alugou e reformou o prédio do antigo Hospital Santa Rita e mobilizou poder público, voluntários, profissionais, empresas e entidades.

Em 1º de dezembro de 2016, o Hospital Beneficente AssisteGuaíra iniciou os atendimentos. A unidade nasceu do esforço coletivo para devolver à população o direito de encontrar internação, cirurgias, partos e cuidados hospitalares dentro do próprio município.

Foi assim que duas histórias, criadas em momentos diferentes, passaram a carregar a mesma essência.

Quando Guaíra perdeu as Sete Quedas, fez nascer o Torneio. Quando ficou sem hospital, fez nascer o AssisteGuaíra.

Em 2018, uma lei municipal estabeleceu que, a partir da 26ª edição, o Torneio passaria a ser organizado pelo AssisteGuaíra. As duas histórias finalmente se encontraram: uma tradição criada para ajudar Guaíra a recomeçar passou a contribuir com uma instituição criada para cuidar e salvar vidas.

Desde então, a inscrição não representa somente o valor de participação em uma competição. Ela também funciona como contribuição para a manutenção do Hospital. Toda a renda líquida do Torneio é destinada ao AssisteGuaíra.

Na edição de 2026, as inscrições somaram uma arrecadação bruta de R$ 136 mil. Cada equipe pagou R$ 800 e pôde reunir até três pescadores, o equivalente a aproximadamente R$ 266,67 por integrante quando o valor foi dividido entre os três participantes.

A última semana de inscrições começou com cerca de 50 equipes confirmadas. A mobilização dos pescadores, organizadores, parceiros, apoiadores e da comunidade elevou esse número para 170 equipes.

O total colocou a 32ª edição entre as três maiores participações da série histórica compilada, atrás apenas de 2024, com 216 equipes, e de 2022, com 173.

Em 2017, na 25ª edição, o Torneio reuniu 135 equipes. Em 2019, foram 150. O retorno de 2022 recebeu 173 equipes. Em 2023, foram registradas 160 inscrições. O recorde chegou em 2024, com 216 equipes. Em 2025, a competição voltou a reunir 160 equipes. Já em 2026, o total alcançou 170 equipes, crescimento de 6,25% em relação ao ano anterior.

O valor da inscrição também acompanhou a ampliação da estrutura, da finalidade beneficente e da premiação. Em 2017, a taxa era de R$ 250 por equipe. Em 2022, o primeiro lote custou R$ 600. Em 2023, o valor foi de R$ 700. Em 2025, chegou a R$ 900. Na 32ª edição, a organização estabeleceu o valor de R$ 800.

A premiação de 2026 reuniu 13 superprêmios: seis motores de popa, cinco barcos de alumínio e duas carretinhas. O regulamento também destinou sorteios específicos às equipes com participação feminina, às primeiras inscrições pagas, aos participantes da Barqueata e às embarcações presentes na água durante a largada.

A presença feminina representou 33% dos 497 competidores. Os homens corresponderam a 67%. Entre as equipes, 96% participaram com três integrantes e 4% com dois.

O Paraná concentrou 95,3% dos pescadores. O Torneio também recebeu representantes de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraguai, o que preservou seu caráter internacional.

A prova registrou mais de 68 capturas válidas. Foram 15 tucunarés, três dourados, 14 peixes de ceva e 36 peixes de couro. Todos os exemplares validados seguiram o procedimento de fotografia, gravação, medição e soltura.

Na categoria Tucunaré, a Kabellera Fishing venceu com 140,5 pontos e também apresentou o maior exemplar, com 49,5 centímetros. A Área 51 ficou em segundo lugar, com 125 pontos, e a Apam RA Team Consultoria Fitness conquistou a terceira colocação, com 119 pontos.

Na categoria Dourado, a equipe João Medeiros venceu com 143 pontos e registrou o maior exemplar, com 71,5 centímetros. O Clube do Anzol Vazio ficou em segundo lugar, com 68 pontos.

Entre os peixes de ceva, a equipe Os Criticoso conquistou o primeiro lugar, com 139 pontos. Posto Maringá ficou em segundo, com 125 pontos, e Os Amigos alcançou a terceira posição, com 111,5 pontos. A equipe Alfa Sierra apresentou a maior piapara, com 58 centímetros.

Na categoria Peixes de Couro, a equipe Os Cuiudo venceu com 205 pontos. A Sixseven ficou em segundo lugar, com 200,5 pontos, e a Shem 001 conquistou a terceira colocação, com 192,5 pontos. O maior exemplar foi um armado de 75 centímetros, apresentado pela equipe Aqui Tem as Coisas.

Os sorteios dos superprêmios também reservaram momentos de grande emoção. A equipe Deley Materiais de Construção comemorou intensamente a conquista de um barco e contagiou o público presente. A equipe Chama no Zoom celebrou o prêmio de 50 HP destinado às primeiras inscrições pagas.

A equipe Bar do Russo, número 170, conquistou dois prêmios, entre eles a carretinha destinada aos participantes com presença validada na Barqueata.

O procedimento dos sorteios permaneceu aberto à fiscalização. Antes da colocação das bolinhas no globo, o protocolo convidou representantes das equipes para realizar a conferência. Os participantes também puderam acompanhar e auxiliar na retirada das bolinhas durante o sorteio ao vivo.

O resultado de 2026 mostrou que o Torneio continua vivo, relevante e capaz de se renovar. A união com o Festival Ocupe o Lago, o Pedal Solidário e o Festival da Costela ampliou a presença de famílias e criou novas razões para visitar o Centro Náutico.

Mais do que uma competição, o Torneio representa a história de uma cidade que perdeu seu maior patrimônio natural, mas se recusou a abandonar sua vocação turística.

O peixe volta para o rio. A contribuição permanece em Guaíra e ajuda o Hospital AssisteGuaíra a continuar a cuidar de vidas.

A realização foi do Hospital AssisteGuaíra, com apoio da Itaipu Binacional, do Itaipu Parquetec e do Município de Guaíra.

Município de Guaíra
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Data de publicação: 11:15 quarta-feira, 30/09/2026
Por: DICSI: Fotos: Assessoria / Texto e Revisão: Cintia Marques


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