SETE QUEDAS | Uma das últimas travessias, uma fotografia e uma história para nunca esquecer
Há fotografias que registram um instante. Outras guardam capítulos inteiros da história de uma cidade.
Esta imagem, compartilhada pelo morador de Guaíra carinhosamente conhecido como Tio Mário do Pesqueiro, pertence à segunda categoria. Ela integra a campanha de resgate da memória das Sete Quedas, promovida pelo Município de Guaíra, por meio da Diretoria de Comunicação Social e Imprensa (DICSI).
O registro mostra uma das últimas travessias pelas pontes do antigo Parque Nacional das Sete Quedas, pouco antes do fechamento do acesso ao público para a formação do reservatório de Itaipu, em outubro de 1982.
À frente, segundo o relato de Tio Mário, está dona Charlotte Mann, acompanhada de outra senhora. As duas mantinham uma pequena barraca de venda de cartões-postais aos turistas que visitavam as Sete Quedas. Eram parte daquele cotidiano de visitantes, comerciantes, funcionários e famílias que davam vida ao parque.
Naqueles últimos momentos, após encerrarem as atividades da barraca, as duas senhoras fizeram uma derradeira caminhada pelas pontes. Não foram apenas se despedir. Foram buscar pequenas mudas de plantas para guardar como lembrança daquele lugar que, em poucos dias, desapareceria sob as águas.
Um gesto simples, mas de uma profundidade imensa: levar consigo um pedacinho das Sete Quedas.
Tio Mário, que na época trabalhava no parque e era responsável por recolher os últimos visitantes, conta que aguardava as duas senhoras para concluir a retirada do público. Segundo sua lembrança, elas foram as últimas pessoas a atravessar aquele trecho antes do encerramento do acesso.
Dona Charlotte era alemã e escolheu Guaíra para construir sua vida ao lado do marido, Ernesto Mann. O casal desenvolveu atividades empresariais, criou raízes e se tornou conhecido e respeitado na comunidade guairense. Ambos viveram na cidade até o falecimento. Seu filho, carinhosamente conhecido como Ernestinho Mann, constituiu família em Guaíra, onde permanece.
Quarenta e quatro anos depois, a fotografia nos permite imaginar o que aquelas mulheres sentiram ao atravessar a ponte pela última vez. Talvez tristeza. Talvez incredulidade. Talvez apenas a necessidade de guardar algo que pudesse ser tocado quando tudo aquilo já fosse memória.
Não sabemos o que disseram naquela despedida. Mas sabemos que uma fotografia e o testemunho de quem estava lá preservaram aquele momento.
O Município de Guaíra agradece ao Tio Mário do Pesqueiro pela generosidade em compartilhar seu arquivo pessoal e suas lembranças, e à família Mann, cuja história também faz parte da memória de nossa cidade.
📷 Hoje é dia de mexer no baú de fotografias!
Você também tem imagens, documentos, cartões-postais ou histórias das Sete Quedas? Compartilhe conosco! Os registros selecionados poderão integrar o álbum especial de memórias das Sete Quedas no Facebook do Município.
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Não consegue fotografar ou digitalizar a imagem? Traga a fotografia original até a DICSI. Nossa equipe poderá digitalizá-la e devolver o documento a você.
Porque preservar a memória das Sete Quedas também é preservar as histórias das pessoas que fizeram parte dela.
Sete Quedas: as águas partiram. As histórias ficaram.
Fotografia: arquivo pessoal de Tio Mário do Pesqueiro. Relato histórico fornecido pelo colaborador.
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